Onde é que tu estás? Este questionamento deveria acompanhar-te de mão dada. Não para te deixar num estado depressivo e melancólico, mas para te relembrar o valor da tua vida. Devias perceber por onde é que te tens deixado. Onde é que tens deixado semear todos os teus pedaços? Onde é que te tens deixado ficar à espera? Em que sentido se encontra o teu sentido?

Onde é que tu estás? Deixaste para trás esta pergunta com medo de não a conseguires responder. Sentes-te incapaz de a enfrentar e de a levar com os passos da tua humanidade. Para ti restam somente os teus pés atados a uma indignidade que ateimas em colocar em tudo o que és e fazes. Sobra apenas um pouco que não te deixa ser mais do que um louco dentro de ti mesmo.

Onde é que tu estás? Vives num desânimo permanente. A tua felicidade não foi esgotada, mas sim recalcada. Colocaste-a de fora. Perdida de ti, quando devia estar perdida em ti. Procuras, mas não sabes o quê, por isso continuas nesse fingimento de uma azáfama que te parece preencher e realizar, mas quando és confrontado com o silêncio, logo te deixas quebrar e recolhes de novo à tua verdadeira essência.

Onde é que tu estás? Consegues ao menos localizar-te nesta linha do tempo? Consegues ao menos dar-te tempo? Talvez precises desse teu tempo para uma travessia dura, mas plena de ti mesmo. Talvez necessites de te abandonar. Deixares-te ao abandono de ti mesmo. Sem medos, nem receios. Sem máscaras, nem desculpas. Apenas contigo, sem esperares que te apanhem.

Onde é que tu estás? Onde estão os teus sonhos? Onde está a tua alegria? Onde estás tu no meio de tudo o que és e fazes? Se não te deixares encontrar agora com esta pergunta, talvez um dia seja tarde demais para a colocares na mochila da tua vida.

Onde é que tu estás? Não respondas já. Coloca-a em ti.

~ Emanuel António Dias

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