Tragam-me a honestidade de quem não tem medo de dizer o que pensa.
Tragam-me a transparência de quem diz sempre o que pensa da mesma maneira, à frente de quem for.
Tragam-me a capacidade de preferir dizer tudo em voz baixa. Principalmente as verdades mais difíceis ou as palavras-pedras que, às vezes, teimam em trepar pela garganta.
Tragam-me água fresca para apagar todas as raivas que o mundo quis acender e atear dentro das minhas veias.
Tragam-me a força para não me conformar. Para não fazer como dizem os livros. As notícias. Ou os outros.
Tragam-me a coragem para olhar dentro dos olhos de quem fala comigo.
Tragam-me a destreza para escapar das guerras que existem à minha volta e não façam do meu coração uma trincheira.
Tragam-me a paciência para esperar pelo que há-de ser novo.
Tragam-me vontade de ser página inaugurada.
Tragam-me desse brilho que vi nos olhos das crianças que não tinham nada e, ainda assim, tinham tudo.
Tragam-me a força que têm as ondas quando nos fazem estremecer as pernas e a vida.
Tragam-me só o que eu precisar para ser melhor e para fazer mais.
Preciso tanto do que ainda não tenho.
Tragam-me uma vida nova. Ou duas. Para eu poder escolher com qual quero ficar.
Tragam-me tudo ao mesmo tempo. Eu depois logo vivo. Devagarinho. Como quem ainda tem tudo para aprender.

~ Marta Arrais

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