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Não olhes para trás

Se o teu caminho não for claro, quem é que te ajuda a ver?
Se fores para fora de pé, quem é que te salva?
Se o chão se abrir, quem é que te ensina a voar?
Se o fogo se apagar, quem é que te ilumina?
Se o Céu se calar, quem é que te vai dizer o que fazer?
Se não houver mapa, como vais saber o caminho?
Se os teus pés falharem, quem é que te leva?

Somos feitos de perguntas. Principalmente de perguntas que não temos coragem de responder. Temos medo. Medo das pedras que nos vão fazer tropeçar, das ondas que nos vão fazer engolir água, das fendas e das falhas no caminho, da falta de luz, da falta de direções precisas e claras, da falta de uma Voz que venha do Céu, da falta de equilíbrio e, sobretudo, da falta de coragem. As respostas para as perguntas que acima referi, serão diferentes para cada um de nós. E ainda bem. Não vamos saber sempre tudo. Não vamos conseguir sempre tudo. Não vamos conseguir dizer que sim a tudo e, outras tantas vezes, vamos dizer nãoe arriscar perder oportunidades que não voltam. Paciência. O que não podemos é ir atrás do cardume. Há peixes que não interessam a ninguém. Ainda que sigam juntinhos e pareçam muito fortes. É só medo o que lhes está por dentro das guelras. Esquece. Procura aquele pedaço de mar ou de rio onde não passa ninguém. Onde só o silêncio se atreve a nadar. É por aí que se deve ir. Pelo caminho que ainda não pertence a ninguém. Pela corrente que nos puxa para mais perto do que nos faz viver mais em paz. Mais felizes.

Sê exemplo. Faz o que ainda ninguém teve coragem de fazer se é isso que te faz sentido e que te faz soltar os pés do chão. Vive como se voasses. Vive como quem sabe que o melhor há-de vir e que o pior já passou.

Quando souberem da tua coragem, vão querer seguir-te e convencer-te a regressar. Não olhes para trás.

~ Marta Arrais

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