Friendship crime scene

E de 2016, ficaram golpes que sangraram, feridas, passos perdidos, sonhos apagados, mas há também o conforto e o alento de quem permaneceu ao nosso lado, de quem chegou, ficou e não faz intenção de partir, de quem fez diferente. E caminhos exigentes, conversas intermináveis, abraços infinitos. E foi lá, aqui, acolá. O sangue estancámos, as feridas vão cicatrizando, sonhos vamos reconstruindo, os passos damos lado a lado, partilhamos o momento e o caminho, a loucura e a serenidade. É isto que nos marca, que nos forma, que nos torna humanos, que nos faz heróis. Brindo aos amigos e a todos os momentos e em todos os locais onde o crime se chama AMIZADE.

 

Escolho os meus amigos, não pela cor da pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila dos olhos.
Tem que ter um brilho questionador e uma tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espíritos, nem os maus de hábitos.
Fico com os que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero respostas, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isto, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho os meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só ombros e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim, metade maluquice, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, que e lutem para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças para que não esqueçam o valor do vento no nosso rosto; e velhos para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem sou.
Pois vendo os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.
~ Oscar Wilde